Executiva dá cinco dicas para motivar colaborador em home office

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A quarentena contra a pandemia do novo coronavírus e a consequente adoção do trabalho remoto, fez com que muitas empresas se dessem conta da necessidade de criar novas estratégias para motivar seus colaboradores nessa nova rotina de atuação, o home office.

Nesse sentido, a CEO do grupo de comunicação MCM Brand Group, Mônica Schimenes, dá cinco dicas de como os líderes podem motivar os colaboradores, mesmo longe fisicamente:

• A arte de fazer perguntas: Os líderes precisam estimular seus colaboradores a sempre fazerem perguntas para explorarem diversos pontos de vista. Todas as perguntas devem ser bem-vindas, fazendo assim as pessoas perderem o medo de se comunicar.

• Feedback é um presente: Reconhecer o que os colaboradores fazem de bom e dar opções para melhorias é uma tarefa delicada e que exige prática. Comece com pequenas conversas, um café para entender como a pessoa está, separe um ponto bacana que você gostaria de elogiar, algo que a pessoa precise melhorar e pergunte o que ela acha disso? Se faz sentido e como ela gostaria da sua ajuda para avançar naquele ponto.

• Tudo bem pedir ajuda: Muitos líderes têm receio ou medo de pedir ajuda para o time, ou pessoas de cargos menores que os deles, por supostamente expor sua vulnerabilidade. Pelo contrário, ao pedir ajuda, além de demonstrar valor pela opinião daquela pessoa, o líder demonstra que também está em constante aprendizado e todos têm valor no processo.

• Hands on! Em tempos de covid-19, todo mundo põe a mão na massa e o papel do líder de dar o exemplo é fundamental. Ajudar todos a remar mais forte com um rumo bem claro faz toda a diferença. Líderes de atitude tocam as emoções de seu time, quando demonstram que estão juntos e mais ainda quando compartilham o conhecimento que possuem. Afinal, é por uma série de fatores que ele ou ela se tornou líder.

• Desenvolva novos líderes: Em tempos de crise, a gestão fica delicada, porque as decisões ficam mais difíceis e tudo parece ganhar um peso maior. Um líder com visão humanitária é seguro para delegar desafios aos liderados, confiando que eles poderão dar conta. Escolha pessoas-chave que se destacam no dia a dia, alinhe se a liderança faz parte dos desejos desse colaborador e o desafie a ser melhor todos os dias.

Qualidade de vida, modo de trabalho

Por Adrian Alexandri*, especial para o Dias Úteis e Muito Mais

No campo, na cidade ou na firma: onde é melhor trabalhar?

Trabalhar em casa – o hoje onipresente home office –, assim como as vídeoconferências, que agora têm como sinônimos Zoom, Google Teams, ou o velho Skype, sempre existiram, mas são obrigatoriamente comuns em tempos de quarentena. Estão no trending toppics de qualquer empresa, no linguajar de muita gente que se viu refém de ter que trabalhar no mesmo espaço em que mora.

Quando ingressei no mercado do trabalho como jornalista, e lá se vão mais de 35 anos, as relações de trabalho eram diferentes e – vivendo em redações de jornal ou TV, como foi parte da minha carreira – eram mais “diferentes” ainda. Toda vez que vejo os processos árduos por qual passam muitos profissionais para obter um emprego, penso o privilégio de não ter precisado passar por fases, testes de comportamento e entrevistas duras para garantir minha contratação. Era uma época em que muitas vezes um amigo ou um futuro colega de redação o indicava e, tendo um currículo adequado, estava contratado depois de uma boa conversa com o editor ou diretor do veículo. Era um QI no melhor sentido da expressão, sem passar por cima de outros candidatos. Não havia em muitas redações, à época, processos seletivos estruturados. Precisando contratar, a própria equipe dava nomes e avalizava os candidatos.

Depois fui trabalhar com comunicação corporativa – onde agora completo 20 anos – e as “regras” são outras, pois sendo em agências de comunicação ou empresas tradicionais, os processos e rotinas do ofício são muito mais padronizados. As métricas de metas e resultados se tornam mais claras e, com isso, a carga de trabalho e as cobranças também aumentam.

Ao longo destas décadas, a tecnologia, todos sabem, tomou conta e transformou os modos de se trabalhar. Na comunicação, então, qualquer teórico mais respeitado viu o computador, lá atrás, como um divisor de águas nos processos de informação. Desta forma, o trabalhar em casa hoje é possível, sem dúvida, porque permite que possamos continuar sendo produtivos mesmo que no isolamento espacial. O que importa é que estamos conectados globalmente.

Esta “nova” rotina, para mim, foi um desejo só realizado quando montei meu negócio, um intervalo de pouco mais de quatro anos, na década passada. Era a liberdade que eu pedia, depois de anos de horários nada fixos. Quem já trabalhou em algum veículo de comunicação sabe que não existe o “horário comercial”. A rotina das notícias tem outro ritmo. Mas o aparato tecnológico trouxe, claro, as facilidades que quebraram totalmente a barreira do “nine to five”. E permitiu que ficássemos disponíveis a qualquer hora.

Esse novo modo de trabalho – e aqui estou me referindo à vida com e-mails e, agora mais do que nunca, WhatsApp – nos traz a outra questão: onde trabalhamos mais: no ambiente da ‘firma”, com as muitas tarefas e o quanto estamos on line fora dali; ou em casa, quando de fato o horário do “expediente” fica ainda mais subjetivo?

Para isso, entendo, não há resposta pronta, pois temos variáveis do tipo de trabalho com desenvolvemos até a forma como resolvemos isso. Quantas vezes, seja em casa ou no escritório, tivemos um dia improdutivo?  Ou que fomos tomados por reuniões que não permitiram resolvermos questões banais? O mesmo, de forma semelhante, trabalhando no aconchego do lar.

Os ambientes mudam, a contingência – como agora — pode ser excepcional, mas estou cada vez mais convencido de que produzimos melhor onde conseguimos adaptar o trabalho ao nosso jeito de ser, da nossa forma de executar as tarefas. Claro que há funções onde isso não é possível, mas hoje temos muito mais mecanismos para flexibilizar tarefas, planejar considerando perfis – nosso e de quem está na equipe.

É isso que tenho buscado, a partir de uma mudança mais radical na minha carreira, alinhado ao conceito de que posso ser mais dono do meu tempo, trabalhando de qualquer lugar. Há vantagens e desvantagens que ainda vou experimentar. Tudo isso para garantir, cada vez mais, qualidade de vida, da minha vida.

*Jornalista e consultor

Livro sobre abuso sexual de crianças no futebol ganha Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo

Silenciados é o nome do livro reportagem, de Pedro Rubens Santos (23 anos), sobre vítimas da violência sexual nas categorias de base do futebol brasileiro, que acaba de receber o primeiro lugar no 36º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo (categoria Acadêmicos), promovido pelo Movimento de Justiça dos Direitos Humanos e a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio Grande do Sul, com apoio da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (ArFoc) do Rio Grande do Sul e do Brasil. Trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), apresentado à banca em dezembro de 2018, recebe agora o prêmio considerado um dos reconhecimentos mais importantes do jornalismo brasileiro.

O tema da exploração sexual de meninos no mundo do futebol ainda é abafado pela grande imprensa e as denúncias não encontram o eco necessário nos meios de comunicação, em que o esporte se mostra como espetáculo e entretenimento. Silenciados traz à tona algumas das vítimas e suas histórias, jovens que tiveram suas vidas marcadas por violência, abuso e descaso e suas carreiras interrompidas.

Profissionalização precoce, cobranças excessivas e privação de convívios sociais são aspectos da carreira de jovens futebolistas em um ambiente precário, masculinizado e homofóbico. De um lado, o sonho de alcançar sucesso profissional e ascensão social alimentado por centenas de meninos no Brasil e por suas famílias, muitas delas vulneráveis. De outro, predadores sexuais atentos a essa vulnerabilidade que, presentes nas categorias de base e escolinhas de futebol nos vários cantos do país, agem criminosamente, sem fiscalização.

Atletas profissionais ignoram

Nem só a imprensa dá as costas a essa situação. Os próprios atletas profissionais, treinadores e dirigentes dos clubes quase nunca tratam o tema com a seriedade e a atenção necessários, mas lavam as mãos e deixam adormecer evidências de um cenário cruel, em que crianças e adolescentes são abusados e silenciados.

“São casos reais sobre os quais não se lê nos noticiários. Sabe-se sobre eles apenas quando se propõe a fazer uma pesquisa atenta sobre o tema”, diz Pedro Rubens na introdução do livro. Aos 11 anos, o paraense de Marabá Ruan Pétrick foi abusado por um observador técnico. Distante da família, foi molestado duas vezes, mantendo-se em silêncio por 8 anos, sem apoio ou amparo, com medo de ter encerrado seu sonho de ser jogador profissional. Este é um dos casos relatados em Silenciados, que mostra uma realidade em que professor de futebol é preso por estupro de 13 crianças, entre 7 e 12 anos, um olheiro mantém atletas adolescentes em situação análoga à de escravidão e um falso agente de um time de Sergipe atrai jovens jogadores ao alojamento, dopa-os e assim abusa sexualmente deles.

“Não se trata de algo isolado, mas sim de um sistema que pode ser definido como epidemia”, escreve o autor em seu texto de introdução. Pedro Rubens afirma ter feito esse recorte do meio esportivo, o de categorias de base do futebol masculino, não porque não haja abusos e violência em outras modalidades, praticadas por meninos e por meninas, mas porque jogadores de futebol do sexo masculino são a maioria no país. “Além das quatro linhas, há uma rede de abusos, exploração, ilusão e tráfico de crianças e adolescentes vulneráveis manchando o esporte mais popular do Brasil”, conclui.

36º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo

Instituído há 36 anos, com a cerimônia sempre no Dia Mundial dos Direitos Humanos (10 de dezembro), o prêmio visa a estimular o trabalho dos profissionais de Jornalismo na denúncia das violações e na vigilância do respeito dos Direitos Humanos, como descreveu o presidente do Movimento de Justiça dos Direitos Humanos, Jair Krischke, em seu discurso. Ricardo Breier, presidente da OAB-RS, em cuja sede foram entregues os troféus e diplomas, destacou a importância histórica do prêmio como um incentivo à vigilância da imprensa em prol dos direitos de todos.”A imprensa costuma chamar o evento de ‘Oscar’. Isso demonstra a credibilidade da gratificação”, diz Krichke.

Esta edição premiou um total de 40 trabalhos, em 10 categorias: além da Acadêmico, Rádio, Fotografia, Televisão, Crônica, On-line, Documentário, Reportagem Grande reportagem (Livro) e Especial.

https://youtu.be/VwE-9OhN6pw

Veja mais sobre a premiação e todos os trabalhos jornalísticos laureados:

https://www.oabrs.org.br/noticias/premio-direitos-humanos-jornalismo-homenageia-profissionais-comunicacao-na-oabrs/34582